Fui capaz de perdoar o que me feriu, o que me dilacerou, o que me matou
Mas não fui capaz de perdoar a mim
Eu, dona do meu querer, não pude entender o tanto que me deixei ferir
De tudo quanto pude perceber, meu lugar não estava ao sol
Não fui primeira
Não fui luz
Não fui solução
Em tudo quanto me doei, eis o dom do ser qualquer
Postergada
Devolvida ao furor de ser só
Meu pálido inverno fez-se eterno
Não fui eu
Não fui ímpar
Não fui suficiente
Ao que me desdobro, sobram-me os talvez
Talvez dê
Talvez possa
Talvez queira
E no imbuir de minhas qualidades, minha queda doeu solitária
Dei o muito que esperei
Esperei o muito que não me cabia
E mais uma vez, sob meu corpo inerte, meu grito dissipou
O eco nunca se foi
Não me perdoei.
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