domingo, 10 de agosto de 2025

Fui capaz de perdoar o que me feriu, o que me dilacerou, o que me matou

Mas não fui capaz de perdoar a mim

Eu, dona do meu querer, não pude entender o tanto que me deixei ferir

De tudo quanto pude perceber, meu lugar não estava ao sol

Não fui primeira

Não fui luz 

Não fui solução 

Em tudo quanto me doei, eis o dom do ser qualquer

Postergada

Devolvida ao furor de ser só 

Meu pálido inverno fez-se eterno

Não fui eu

Não fui ímpar 

Não fui suficiente

Ao que me desdobro, sobram-me os talvez

Talvez dê

Talvez possa

Talvez queira

E no imbuir de minhas qualidades, minha queda doeu solitária 

Dei o muito que esperei 

Esperei o muito que não me cabia

E mais uma vez, sob meu corpo inerte, meu grito dissipou

O eco nunca se foi

Não me perdoei.

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